quarta-feira, 3 de abril de 2013

Sou medrosa por natureza...

....ou talvez porque cresci num meio a onde me transmitiram medo, e um dos medos que me transmitiram foi o do endividamento, cresci a ver os meus pais a lutarem todos os dias de forma a construírem uma vida,uma vida modesta e simples mas que deu e dá estabilidade.

Quando casei e apesar de esperançosa num futuro ambicionava uma melhoria na minha vida, o objetivo principal a casa, uma casa só um pouco maior, numa outra localidade, uma casa que não depende-se do casamento para ser minha, mas o medo dos créditos fez-me sempre recuar, mesmo quando os bancos facilitavam, que no nosso caso nos diziam " esteja mas é quieta nem sabe no que se vai meter" ou quando via amigos e conhecidos a mudarem de vida, e que vidas, eu sempre fixa nas minhas ideias e esperançosa que conseguia poupar, que conseguia ao fim de uns anitos ter dinheiro para investir no meu sonho, 14 anos já passaram e ao longo desses 14 anos o juntar como os meus pais juntaram tem sido impossível, mesmo eu tendo uma vida simples nada não se consegue, nada, parece que aquele esforço que se faz não compensa ao contrário do esforço dos meus pais quando num simples gestos como quando eu e o meu irmão entramos na escola e diz a minha mãe " se eu tinha dinheiro só para um lápis era um lápis que eu comprava e dividia com os dois partindo ao meio" era esse poupar que os fez juntar todos os tostões para o presente de agora, e eu? poupar num lápis para quê? se o euro não dá para poupar.

Ao ler testemunhos aqui impressos, principalmente na 4º estação um testemunho de quem quis fazer obras em casa e agora nem a casa tem, nós ainda tentamos esse processo mas as condições do "nós damos mas têm que dar algo em troca" fizeram-me recuar, porquê é que eu tinha que garantir o empréstimo com algo que já é nosso e que foi alcançado por quem tb se esforçou e viveu uma vida simples? e aqui o meu medo a chamar por mim "se algo corre mal perco tudo". Ainda tentamos umas obras simples mas que nos dariam uma outra divisão mas aqui a burocracia e a maldade das pessoas fez-nos um embargo de obra que nos daria acesso ao sotão.

Já na 10º estação, um outro testemunho com o qual me identifico pelo sonho de ter uma casa "só com mais 1 quarto".
Dois testemunhos tão parecidos com o meu sonho mas que ao contrário de mim acreditaram no sonho e arriscaram e no fim perderam tudo, apesar de testemunhos tristes dão-me um misto de sentimentos positivos e o acreditar nos meus medos, afinal esta magoa e tristeza que tenho por não ter arriscado no meu sonho não tem razão de ser e que a forma como cresci faz de mim o que sou hoje, uma pessoa que se sente á parte da crise, que vive com aquilo que pode e que agora começo a sentir-me bem, começo a aceitar mas a esperança essa não a perdi, quem sabe um dia não vou ver o meu sonho concretizado, ainda acredito no meu país vivido de forma simples.

Nenhum comentário:

Postar um comentário