falecia uma amiga que me marcou muito, conhecia quando entramos para o 1º ano do ciclo ( agora 5ºano) na preparatória, desde o inicio que tivemos logo simpatia e formamos um grupo de 5, andávamos sempre juntas, passamos 2 anos escolares juntas, 2 anos que a meu ver são os que marcam mais, temos mais mudanças, sentimentos, novidades e passamos a ver que o mundo é mais abrangente que a família e que com os amigos podemos formar sentimentos mais fortes que com alguns familiares. A Ana foi uma delas, que me marcou como se fosse da minha família, quando fomos para o 7ºano chorávamos as 5 compulsivamente no autocarro, houve quem comentasse ao aperceber-se " tadinhas tão novas mas com tantos sentimentos" e mesmo na mesma escola ficamos afastada, apesar de na altura nos vermos várias vezes á semana trocava-mos correspondência por carta, fazia-nos bem as confidências, estava-mos a crescer juntas.
Em 1992 regressava com a família vinda da Expo92 ( Sevilha) e ao chegar quase a casa ( faltavam cerca de 5km) um autocarro com o motorista alcoolizado não parou num Stop embatendo no carro desta família e desfazendo vidas, o pai e a irmã ( a márcia na altura com 16 anos) faleceram na hora, ela, a Ana (18anos) viria a falecer a caminho do hospital, já a mãe ficou intata e saíu do carro em choque e começou a vaguear pela estranha, quando chegou o socorro entrou em "coma" psicológico. Foi ela que me deu a notícia, mantive o contato durante uns anos, ofereceu-me coisas que achou que seriam importantes para mim, como as minhas cartas que as juntei ás que recebia da Ana.
Já á uns anos que não sei nada da mãe da Ana, perdi o contato talvez um pouco por minha culpa, desde que as minhas filhas nasceram senti-me receosa, ela que por mais que quisesse estar dentro da realidade tinha pensamentos estranhos mas compreensiveis, quem consegue viver com uma tragédia desta?....ninguém merece.
Ontem fui á igreja saber se haveria alguma missa marcada, um pouco na esperança de reencontrar esta mãe, acabei por sair de lá com a marcação da missa pela minha parte, algo que me faz bem, já á muito que não ia á missa, esta foi dada pelo padre que me batizou e casou, fez-me pensar na coêncidencia, fez-me pensar nas minhas opções de vida e o que vivo, fez-me lembrar quem já partiu, fez-me estar atenta aos presentes como que a reconhecer alguém, fez-me pensar que a mais nova quis ir comigo e lhe fez bem esta 1ª experiência e que a deveria dar opção de escolha levando-a a ter conhecimento de outras religiões, não deve de ser uma imposição, tem que ser uma escolha, eu escolhi criar a minha com a qual vivo bem.
Há momentos da vida que especialmente nos lembramos das coisas que nos tocaram e nos tocam. Esquecemo-nos de valorizar mtas vezes o que realmente conta. Quanto a religiões, eu optei e opto por não impôr nada aos meus filhos...eles são livres para escolherem ou não, a religião que um dia quiserem seguir.
ResponderExcluirA ida à Igreja nunca foi um habito dos meus Pais, e consequentemente depois de sair de casa, também nunca caminhei para lá.
ResponderExcluirApesar da Familia do Fernando ser extremamente religiosa, também ele nunca seguiu esse caminho.
Até hoje ainda n tive nada que me puxasse para a igreja, mas também não posso dizer que desta agua nunca beberei.
História trágica a dessa familia Kombi. Sem palavras!
Beijinho grande