sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Á dias.....

....foi o velório do avó materno do meu sobrinho, e por ele fui dar-lhe mimos, fui com a minha mãe e a mais nova que teve que ir comigo devido á noticia apesar de esperada ter sido repentina, apesar da idade da mais nova achei que não deveria de levar a certos locais mas o mostrar a onde estão entes tão queridos que ela tem ouvido falar não iria fazer mal, mostrei-lhe a onde estão os bisavós, o avó ( meu pai), meus tios, o 2º marido da bisavó ( e surgem histórias do passado que ele ia ouvindo interessada), mais á frente e como que a resguarda-la avanço de forma a não ver o local dos bebés, e ao olhar para o outro lado repara numa foto " olha ali está uma noiva", e mais á frente " á um comandante de um barco", quase a seguir a minha mãe mostra-me " ali está aquela menina de 13 anos que morava lá ao fundo da rua e faleceu com cancro", maldito cancro, e vamos avançando e a mais nova repara nos jazigos impunentes e o contraste daquelas campas que não têm pedra e estão cobertas de relva artificial e comenta " estão engraçadas, se calhar não tinham dinheiro", até que chego aos gavetões a onde no 1º está a Ana, a minha colega de escola, no 2º o pai, e no 3º a irmã, e ao contar-lhe sem grandes pormenores a tragédia que aconteceu aproveito e conto-lhe o quanto recordo a Ana e recuo 20 anos, tinha ela 18 anos, ninguém merece morrer cedo, e conto-lhe algumas das nossas aventuras, que saudades, que tempo bom, a P9 atentamente repara nas cobertas do gavetão, cobertas em croché.

Saímos de um local triste mas com uma alegria enorme, eu com a sensação de a ter levado a mostrar a quem já não está cá, saí com a sensação de ter estado com aqueles entes queridos.

Apesar de achar que o cemitério não é local para crianças, se calhar foi esse contato desde cedo quando a minha mãe a mando da minha avó ia semanalmente colocar flores ao pai que me fez ser o que sou, com medo da morte, no entanto tb acho que não devemos proteger as crianças numa "redoma de vidro", esta realidade penso que não lhe fez mal, um assunto que não foi mais falado, já a mais velha nunca gostou de ir a esses locais, e eu só peço ao meu Deus que nos livre das tragédias e tristezas.

2 comentários:

  1. Não tenho problema NENHUM em levar as minhas filhas ao cemitério, quando vamos visitar o meu Avó. São poucas as visitas, mas feitas com o coração aberto, com energia positiva. É um bom sitio para contar memórias !

    Sabes, a campa do meu avó é de relva por cima... e é reconfortante, passar lá a mão e sentir Vida ao invês do granito frio!

    BEIJO MUITO GRANDE

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  2. Eu compartilho da mesma opinião. A morte faz parte da vida e se encarada com medos pode trazer sofrimentos ainda maiores.

    Sabia demais tua atitude!
    Beijos!

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